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A convulsão assusta quem vê pela primeira vez, mas saber o que está acontecendo ajuda a agir com calma. Convulsão é uma crise causada por uma descarga elétrica súbita e desorganizada no cérebro, que provoca movimentos involuntários, rigidez do corpo e, muitas vezes, perda de consciência; a maioria das crises para sozinha em até 2 ou 3 minutos. Durante a crise, o papel de quem está perto é proteger a pessoa, marcar o tempo e chamar socorro quando necessário.


A seguir, você vai entender o que é convulsionar, o que causa uma crise em adultos e idosos, como identificar os sinais e o que fazer (e não fazer) até a ajuda chegar.
Sumário
O que é convulsão e o que acontece no cérebro
O cérebro funciona com pequenos sinais elétricos que passam de uma célula para outra de forma organizada. Em uma crise, um grupo de neurônios dispara ao mesmo tempo e sem controle. O resultado depende da área atingida: pode ser um tremor em um braço, um olhar parado por alguns segundos ou o corpo inteiro se debatendo.
Na linguagem do dia a dia, “convulsionar” quer dizer ter esses abalos musculares. Os médicos usam o termo “crise epiléptica” para qualquer descarga desse tipo, com ou sem movimentos. Por isso, nem toda crise é aquela cena clássica de alguém caído no chão.
Convulsão significado: é o mesmo que epilepsia?
Não. A convulsão é um evento, algo que acontece uma vez. A epilepsia é uma doença do cérebro em que a pessoa tem tendência a ter crises repetidas, sem um fator imediato que as provoque. Uma pessoa pode ter uma única convulsão na vida, por exemplo por causa de febre alta, hipoglicemia ou uma pancada na cabeça, e nunca ter epilepsia. Para entender a doença em detalhes, leia nosso conteúdo sobre epilepsia, sintomas e tratamento.
Tipos de convulsão
As crises são divididas pelo ponto do cérebro onde começam:
- Crise focal: começa em uma área só. A pessoa pode ficar acordada e sentir formigamento, um cheiro estranho ou tremor em uma parte do corpo. Em outros casos, fica “desligada”, mexe a boca ou as mãos sem propósito e não lembra depois.
- Crise generalizada tônico-clônica: atinge os dois lados do cérebro. O corpo fica rígido (fase tônica) e depois vem uma sequência de abalos (fase clônica). É o tipo que a maioria das pessoas chama de convulsão.
- Crise de ausência: mais comum em crianças. A pessoa para tudo e fica com o olhar fixo por poucos segundos, sem cair.
- Crises atônicas e mioclônicas: na atônica, o corpo perde o tônus de repente e a pessoa cai; na mioclônica, surgem sustos musculares rápidos, como choques.
Uma crise focal pode se espalhar e virar generalizada.
O que causa convulsão em adulto
Muitas vezes a crise é um sinal de que algo está errado no corpo. As causas mais conhecidas são:
- epilepsia, inclusive quando a pessoa esquece ou para o remédio por conta própria;
- traumatismo na cabeça, mesmo dias ou meses depois da pancada (veja mais sobre traumatismo craniano);
- AVC, tumores e outras lesões no cérebro;
- infecções como meningite e encefalite;
- açúcar muito baixo no sangue (hipoglicemia) e alterações de sódio e cálcio;
- abstinência de álcool em quem bebe muito e para de repente;
- uso de drogas ou excesso de alguns medicamentos;
- eclâmpsia, uma complicação grave da gestação.
Fatores de risco
Algumas condições aumentam a chance de ter uma crise: histórico de epilepsia na família, lesões antigas no cérebro, AVC prévio, demências como o Alzheimer, uso abusivo de álcool e idades extremas (crianças pequenas e idosos). Em quem já tem epilepsia, noites mal dormidas, estresse intenso e bebida alcoólica podem facilitar uma nova crise.
Como identificar uma convulsão: sinais e sintomas


Os sintomas de convulsão em adulto variam conforme o tipo, mas em uma crise tônico-clônica é comum ver:
- queda repentina e perda de consciência;
- corpo rígido, seguido de abalos rítmicos nos braços e pernas;
- olhos abertos, virados ou parados;
- respiração ruidosa, salivação e espuma na boca;
- lábios arroxeados por alguns instantes;
- mordida na língua e perda de urina.
Algumas pessoas sentem um aviso antes, chamado aura: um cheiro diferente, mal-estar no estômago, sensação de “já vivi isso”. Depois da crise vem uma fase de recuperação, em que é normal ficar confuso, sonolento, com dor de cabeça e dor no corpo por minutos a horas.
Um ponto que ajuda a diferenciar: no desmaio comum, a pessoa costuma voltar a si em poucos segundos e fica lúcida logo. Na convulsão, a confusão depois da crise costuma durar bem mais.
Crise de convulsão: o que fazer passo a passo
- Mantenha a calma e olhe o relógio. Saber quanto tempo a crise durou é uma das informações mais úteis para o médico.
- Afaste objetos duros ou cortantes ao redor.
- Proteja a cabeça com algo macio, como uma almofada ou um casaco dobrado.
- Afrouxe roupas apertadas no pescoço, como gravata ou colarinho, e tire os óculos.
- Quando os abalos pararem, vire a pessoa de lado. Essa posição deixa a saliva escorrer e mantém a respiração livre.
- Fique junto até ela acordar por completo. Fale com calma, explique onde ela está e o que aconteceu.
Esses cuidados simples evitam a maior parte dos machucados e mantêm a respiração livre até a pessoa se recuperar.
Como parar uma convulsão?
Não existe manobra caseira que faça uma convulsão parar. Segurar a pessoa, sacudir, jogar água ou dar algo para cheirar não encurta a crise e pode causar machucados. O que se faz é esperar e proteger. A maioria das crises termina sozinha. Se a convulsão durar mais de 5 minutos, ou se uma crise vier logo depois da outra sem a pessoa acordar entre elas, é emergência: ligue 192. Esse quadro se chama estado de mal epiléptico e precisa de remédio na veia, aplicado por equipe de saúde.
O que não fazer durante a convulsão
- Não coloque nada na boca: nem dedo, nem colher, nem pano. A pessoa não “engole a língua”, e você pode quebrar dentes ou ser mordido.
- Não segure os braços e pernas para impedir os movimentos.
- Não ofereça água, comida ou remédio até ela estar bem acordada.
- Não deixe a pessoa sozinha, mesmo depois que a crise passar.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Crise curta em quem já tem epilepsia conhecida e volta ao normal | Proteger, observar e avisar o médico que acompanha |
| Primeira convulsão da vida | Ligar 192 ou levar ao pronto-socorro para investigar a causa |
| Crise com mais de 5 minutos | Ligar 192 imediatamente |
| Duas crises seguidas sem acordar entre elas | Ligar 192 imediatamente |
| Pessoa não volta a respirar normalmente ou não acorda | Ligar 192 e, se não respirar, iniciar RCP |
| Convulsão em gestante, em quem tem diabetes, após pancada na cabeça ou dentro da água | Ligar 192 |
Complicações da convulsão
A crise em si costuma ser curta, mas pode trazer riscos: quedas com cortes e fraturas, queimaduras se acontecer perto do fogão, afogamento na banheira ou na piscina e acidentes de trânsito. Também pode haver aspiração de saliva ou vômito para o pulmão, o que pode levar à pneumonia. A complicação mais séria é a crise prolongada, que pode deixar sequelas no cérebro se não for tratada rápido.
Tratamento da convulsão
O tratamento depende da causa. Se a crise veio por hipoglicemia, por exemplo, é preciso corrigir o açúcar no sangue; quem cuida de pessoa com diabetes pode ver como agir em primeiros socorros para diabéticos. Se foi uma infecção, ela é tratada. Depois de uma primeira convulsão, o médico costuma pedir exames de sangue, eletroencefalograma e exame de imagem do cérebro.
Quando o diagnóstico é epilepsia, o neurologista pode indicar medicamentos anticonvulsivantes de uso contínuo. Eles devem ser tomados no horário certo e nunca suspensos sem orientação, porque a parada brusca pode provocar crises fortes.
Convulsão em crianças: a convulsão febril
Em crianças pequenas, geralmente entre 6 meses e 5 anos, a febre alta pode desencadear uma convulsão. Na maior parte das vezes ela é curta e não deixa sequelas, mas assusta muito os pais. A primeira crise sempre deve ser avaliada por um médico, e os cuidados na hora são os mesmos: proteger, virar de lado e marcar o tempo.
Convulsão em idosos
Depois dos 60 anos, a chance de ter uma primeira crise aumenta. As causas mais comuns são AVC antigo ou recente, demências, tumores, alterações no sódio ou na glicose e efeitos de remédios. Nos idosos, a crise nem sempre é a clássica: pode aparecer como um período de confusão, olhar parado ou fala embaralhada, fácil de confundir com desmaio ou AVC. Qualquer episódio assim merece avaliação. Quedas durante a crise são mais perigosas nessa idade, por isso vale adaptar a casa, como explicamos no guia sobre como cuidar de um idoso.
Quando chamar ambulância para convulsão
Ligue para o SAMU 192 quando a crise passar de 5 minutos, quando houver crises seguidas, quando for a primeira convulsão, quando a pessoa se machucar, tiver dificuldade para respirar ou não acordar depois. Esses casos são emergência e o atendimento público é o caminho mais rápido.
A ambulância particular da Brasil Emergências Médicas é indicada em outras situações: levar para casa um paciente que recebeu alta depois de uma crise, transferir entre hospitais quem precisa de exame ou de neurologista em outra unidade, transportar pacientes acamados com histórico de convulsões e oferecer UTI móvel quando o quadro exige monitorização durante o trajeto. Veja como funciona a remoção de pacientes em ambulância.
Depois da crise: o que anotar
Anote a hora em que começou, quanto durou, como foram os movimentos (um lado do corpo ou os dois), se houve perda de urina ou mordida na língua e como a pessoa ficou depois. Se possível, grave um vídeo curto, sem atrapalhar os cuidados. Essas informações ajudam muito o médico a descobrir o tipo de crise. O Ministério da Saúde também reúne orientações oficiais sobre epilepsia e atendimento de urgência.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta e a avaliação de um médico.
Perguntas frequentes sobre convulsão
O que é convulsionar?
Convulsionar é ter uma crise em que o corpo faz movimentos involuntários, como abalos e rigidez, por causa de uma atividade elétrica anormal no cérebro. A pessoa geralmente não tem controle e muitas vezes não se lembra do que aconteceu. O episódio costuma durar poucos minutos.
Quanto tempo dura uma convulsão?
A maioria das crises dura de 1 a 3 minutos. A confusão e a sonolência depois podem durar mais tempo, às vezes algumas horas. Se os abalos passarem de 5 minutos, é emergência e o SAMU 192 deve ser chamado.
A pessoa pode engolir a língua durante a convulsão?
Não. Isso é um mito antigo. O risco real está em colocar objetos ou os dedos na boca, o que pode quebrar dentes, ferir a gengiva e causar engasgo. Basta virar a pessoa de lado quando os abalos pararem.
Quem tem convulsão uma vez tem epilepsia?
Nem sempre. Uma crise isolada pode ser provocada por febre, hipoglicemia, álcool, infecção ou trauma, e não voltar mais. O diagnóstico de epilepsia é feito pelo médico, em geral quando há crises repetidas sem uma causa imediata.
Convulsão pode matar?
A maior parte das crises passa sem deixar danos. O perigo aumenta quando a crise é muito longa, quando acontece na água, ao dirigir ou em lugares altos, ou quando há quedas com batida na cabeça. Por isso é tão importante proteger a pessoa e saber a hora de chamar socorro.
Estresse pode causar convulsão?
Em quem já tem epilepsia, estresse intenso e falta de sono podem facilitar uma crise. Também existem crises não epilépticas ligadas ao sofrimento emocional, que parecem convulsões mas têm outra origem. Em qualquer caso, a avaliação médica é necessária para saber a causa.
Pode dar água ou remédio logo depois da convulsão?
Só quando a pessoa estiver bem acordada, conseguindo falar e engolir sem dificuldade. Antes disso, há risco de engasgo. Remédios de resgate devem ser usados apenas se o médico tiver orientado previamente.
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Enfermeiro (COREN-PR 275.585) e Diretor de Enfermagem da Brasil Emergências Médicas. Atua como responsável técnico de enfermagem da empresa, coordenando equipes de remoção, UTI móvel e atendimento pré-hospitalar, com foco na qualidade e segurança dos atendimentos prestados em todo o Brasil.







